O Carmelo de Cristo Redentor em Aveiro, fundado no dia 20 de Novembro de 1983, tomou este título por ser fundado no Ano Santo da Redenção. O grupo das nove Irmãs fundadoras viveu sete anos numa pequena residência paroquial em Eirol que dista 12Km da cidade de Aveiro. Economicamente nem a Diocese de Aveiro nem o Carmelo do Coração Imaculado de Maria, Porto, que assumiu a fundação tinham possibilidades financeiras para a construção do novo convento.

O Senhor D. Manuel da Trindade, então Bispo de Aveiro, e o seu coadjutor D. António Marcelino sensibilizaram toda a Diocese para contribuir com o que pudesse para este fim. Desde crianças da catequese do primeiro ano até ao Crisma contribuíram generosamente segundo as suas possibilidades que não eram muitas. Por isso foi necessário pedir ajuda à diocese alemã de Colónia, que era generosa em ofertas a outras Igrejas necessitadas.

O Senhor Cardeal Joachim Meisner comprometeu-se a pagar dois terços do valor da construção do novo Carmelo. Depois de pronto foi convidado a vir à sua inauguração e aceitou vir mas só algum tempo depois. Ao ver que a capela estava sem alfaias dignas: altar, ambão, sacrário, etc, foi além das nossas expectativas e decorou a nossa capela com estas maravilhas de arte. Contactou um artista alemão, Senhor Egino Weinert, que já tinha obras da sua tão peculiar e apreciada arte no Vaticano e também a capela dos Valinhos, em Fátima. Este Senhor deslocou-se a Aveiro para ver a Capela e pôs mãos à obra dotando-a destas maravilhosas peças. Além da beleza da arte, a nossa capela é uma Bíblia aberta no seu conjunto: vitrais, bronze e esmaltes, têm personagens bíblicas.

Apenas um pequeníssimo resumo da vida do nosso artista: O Senhor Weinert é natural da Alemanha; ainda jovenzinho sentiu vocação para a vida religiosa e foi recebido na Ordem Beneditina. Estava a estudar Teologia quando rebentou a segunda Guerra mundial e foi chamado para combater. Em pleno combate foi atingido no braço direito e ficou sem mão. E sem a mão direita não podia ser ordenado sacerdote como tanto desejava.

O jovem Weinert nasceu bafejado com o dom da arte, pois desde criança se dedicava a criar as suas obras que a todos admiravam, pois tinham uma marca pessoal cheia de originalidade. Conhecedor deste seu talento optou pela vida matrimonial e por abrir o seu próprio Studium. Toda a família colaborava na sua empresa, assim como um bom número de operários. Porém, tudo era orientado por ele. O dom da criatividade original e de interpretar o mistério de Deus na arte foi a marca pessoal com que Deus o dotou e “embora muitos dos seus colaboradores reproduzissem as suas peças, nenhum conseguia penetrar o dom do espírito criador com que Deus o abençoou”. Estas foram as suas palavras quando com admiração pudemos apreciar alguns dos seus catálogos.

Ele próprio trabalhava as peças mais delicadas. Com o antebraço fixava a peça numa mesa e com a mão esquerda trabalhava-a. Foi, para nós, uma graça conhecer o Senhor Weinert, era um verdadeiro contemplativo, que pensamos que já gozará da contemplação da beleza sem limites do nosso Deus.

 

Irmãs do Carmelo de Cristo Redentor