«Ao terceiro dia, celebrava-se uma boda em Caná da Galileia e a mãe de Jesus estava lá. Jesus e os seus discípulos também foram convidados para a boda. Como viesse a faltar o vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: «Não têm vinho!»

Jesus respondeu-lhe: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a minha hora.» Sua mãe disse aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser!»

E eles assim fizeram. O chefe de mesa provou a água transformada em vinho…» (Jo 2)

«Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!»   Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua.» (Jo 19)

 

Vamos viver este Advento como uma preparação para participarmos na Boda das núpcias de Jesus com a Humanidade. É uma perspectiva nova que nos leva a olhar para o Advento com olhos novos e desafia a percorrer caminhos novos. Acima de tudo a encontrar Jesus e acolhermos alegria que Ele nos oferece, porque Ele é o Emanuel, o Deus-connosco.

Se olharmos juntos o texto de S. João, vemos que é ao terceiro dia, o ‘dia da graça’ que é celebrada esta boda. E Maria tem precedência. Ela já estava no tempo novo, o dia que se chama hoje, porque é graça derramada e por isso pode acolher Jesus de forma nova. Agora ela não O acolhe no seu ventre, ela é acolhida por Ele no ventre do Seu mistério. E isso é o que Jesus quer fazer connosco neste Advento, a acolher-nos no Seu mistério.

Maria diz: «Não têm vinho» Jesus responde: «Mulher que tem isso a ver contigo e comigo?» Maria fala desde a sua condição de criatura, Jesus responde desde a sua condição de Messias enviado pelo Pai. O nosso diálogo com Ele é precisamente assim, falamos-Lhe desde nós e Ele responde-nos desde a sua condição messiânica. É a sua palavra divina que vem responder as nossas palavras humanas.

É numa boda que é anunciado a Maria a participação activa na missão de Jesus, a recriação da nova humanidade, pela fidelidade à vontade do Pai. É numa boda que lhe é anunciada a participação na missão de Jesus, no tempo da graça em que Ele a introduz e a vai chamar de Mulher.

O anúncio da missão do amor só alcança a sua plenitude junto à cruz, quando Jesus introduz, plenamente, a Sua Mãe no ventre do Seu mistério – chama-lhe Mulher e confere-lhe o dom da maternidade espiritual: ‘eis o teu filho’. Nesta boda, ao longo de todos os acontecimentos da nossa vida, Jesus quer levar-nos junto à cruz e aí dizer-nos: ‘eis o teu filho’. Este filho que é a humanidade que ‘geme ainda as dores da maternidade e espera a libertação dos filhos de Deus’.

 

É aqui junto à cruz que se aprende que as palavras de Jesus: “Fazei isto em memória de mim” estão sempre acompanhadas das de Maria: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Umas e outras são o espelho divino onde reflete a nossa entrega, a entrega que cada uma faz de si mesmo como cristão, a Cristo.

Neste Advento é a nossa boda, o nosso compromisso de cristãos que queremos celebrar, para que no mais íntimo de nós Jesus imole a nossa vida como pequena hóstia celebrando a cada momento o memorial da Sua entrega por toda a humanidade e para manifestação da glória da Sua graça.

É aqui que a nossa água vai ser transformada em vinho e todos poderão saborear como é grande a misericórdia de Deus para com aqueles que O amam e n’Ele confiam. É aqui que como Maria a nossa alma e o nosso coração, todo o nosso ser é invadido por aquela alegria íntima e profunda que nasce da certeza de que Deus está em nós, e, de saborear o mistério de Deus que se faz nosso.

 

Façamos silêncio, entremos dentro de nós e murmuremos com insistência ao coração de Deus:

Vem Senhor Jesus que te esperamos!