Nas grandes quintas agrícolas ocorriam anualmente as «missões populares». Teresa dos Andes participava muito activamente e por diversas vezes escreve às suas amigas a contar as suas impressões.

Chacabuco, 3 de março de 1916

Minha encantadora amiga:

Pensei que já te tinhas esquecido de mim, e não esperava carta, quando me chegou a tua cartinha ideal.

Não sei por onde começar, porque tenho muitas coisas para te contar. Digo-te que faltam apenas sete dias para irmos para o colégio. Gelo só de pensar nisso.

Já se acabaram as missões, que foram preciosas! Vieram os padres do Coração de Maria. Pregavam muito bem e são muito divertidos. Todos os dias demos catequese a 60 crianças, 24 das quais fizeram a sua Primeira Comunhão. Comungaram 619 pessoas. Crismaram-se 70 e realizou-se um casamento. Que achas disto?

No último dia da missão, domingo, tivemos uma procissão com o Santíssimo. Por todos os lugares onde a procissão devia passar fizeram arcos. Também havia três altares, dois feitos pelas pessoas e um por nós. A procissão começou às cinco e terminou às oito horas, com pregação. Foi muito bonita e comovedora.

Aqui as missões tiveram um esplêndido resultado. Nunca tinha presenciado espetáculo tão comovedor: o da noite em que celebramos o dia da festa da reparação. Pede-se perdão em altos brados. Ao princípio os homens permaneciam calados e não pediam perdão. Então o Padre dirigiu-se para as crianças e estas começaram a pedir perdão pelos seus pais; em seguida as mulheres e por último já todos choravam de contrição pelos seus pecados. Foi verdadeiramente uma missão com muito proveito, graças a Deus que tocou os corações.

Que bom é o meu Deus! Nas missões tivemos sempre a presença do Santíssimo com a possibilidade de comungar e com duas Eucaristias diárias. Passei muito tempo aos pés de Jesus. Sinto-me muitas vezes desfalecida de amor. Ao ver-me tão miserável não posso senão baixar-me até ao meu nada e permanecer diante de d’Ele e Ele não cessa de me encher dos seus favores. Tudo o que faço é por seu amor. Vivo numa contínua presença de Deus. Passei uns dias de céu. Às vezes quando estava na companhia do Senhor uma hora ou mais, pensava que já estava no Carmelo».

Mas das missões faziam parte também os grupos de catequese. Ela gostava de ensinar o catecismo às crianças pobres e com dificuldade de aprender. Tinha com eles muita paciência e amabilidade, por isso as crianças preferiam-na como catequista.

Começava a catequese fazendo o sinal da Cruz, com muito cuidado e respeito, rezava três Avé Marias e logo começava a ensinar a catequese. Quando via as crianças inquietas ou distraídos convidava-as a cantar.

Dava gosto escutar como falava de Deus, da Santíssima Trindade e da pessoa de Jesus, ao ensinar a catequese e a preparar os filhos dos caseiros para a Primeira Comunhão. O seu amor a Nossa Senhora era muito grande e todos os dias rezava o terço com muito recolhimento.

«Como gosto do tempo das missões. Tenho a graça de trabalhar um pouco por Nosso Senhor e de estar muito perto do Tabernáculo. Todos os dias tenho hora e meia de oração. Bendito seja Deus para sempre! As missões são para mim uns dias de céu. Quando estiver com Jesus rezarei por si, e, como estarei a sós com Ele, estou certa de que me escutará. Reze também pelo bom êxito das missões!»