Todo o ser das criaturas,
comparado com o ser infinito de Deus,
nada é.
E, portanto, a alma que põe nele a sua afeição,
diante de Deus também é nada,
e menos que nada;
porque… o amor faz igualdade e
semelhança,
e ainda põe mais baixo ao que ama.
E, portanto, de maneira nenhuma
poderá esta alma unir-se
com o ser infinito de Deus,
porque o que não é
não pode convir com o que é…
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Toda a formosura das criaturas,
comparada com a infinita formosura de Deus,
é suma fealdade…
E toda a graça e donaire das criaturas,
comparada com a graça de Deus,
é suma desgraça e sumo desabrimento…
E toda a bondade das criaturas do mundo,
comparada com a infinita bondade de Deus,
pode chamar-se malícia…
E toda a sabedoria do mundo
e habilidade humana,
comparada com a infinita sabedoria de Deus,
é pura e suma ignorância.
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Eulogio Pacho, As mais belas páginas de S. João da Cruz, Edições Carmelo, Avessadas p.14.


