«Sacrifício aqui no desterro, glória sem fim na pátria. O que é o sacrifício? O que é a cruz senão o céu quando nela está Jesus Cristo? Vivamos na Cruz. A Cruz é a abnegação da nossa vontade. Na cruz está o céu porque ali está Jesus.»

A presença da cruz na vida enquanto dor e morte é uma realidade evidente. Por mais voltas que tentemos dar não tem explicação. Desde a razão falamos de ignorância, desde a fé falamos de mistério. O próprio Deus ao fazer-se homem em Jesus Cristo, não se deteve diante da cruz da dor a procurar razões, mas tomou-a sobre os seus ombros e pôs-se na primeira fila, na fila dos seus irmãos que carregam as suas cruzes.

A cruz só tem sentido desde o amor. E aparecerá na atitude de todo o enamorado: desde o amor de uma mãe que se sacrifica pelos seus filhos, até ao amor de um Deus feliz na sua eternidade, que sendo Amor por essência, vem à nossa terra “por nós homens e para nossa salvação” e se deixa vestir de dor como todos os outros homens, para nos ensinar a assumir a dor e a morte a convertê-las em ressurreição e vida eterna.

São Paulo é consciente de que a vida não é uma ilusão de triunfos vazios nem um alcançar de méritos com esforço próprio e muito menos um acumular de riquezas e poder e por isso diz: «Livre-me Deus de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, na qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo». A cruz é expressão do amor até ao fim. Em Jesus e em todos os que o querem seguir. É a única glória de Paulo. Pela cruz Paulo mudou por completo a sua vida.

Jesus ao fazer-se igual a nós assumiu a cruz normal da vida. Mas chegou a sua “hora”, em que a presença da Cruz se faria sentir mais intensamente. Tão intensamente que caiu sob o peso da cruz. Neste momento Ele experimentava o lado mais penoso da vida. Tornava-se solidário com todos aqueles a quem o peso das suas cruzes lança por terra. Jesus não procurou a dor, nem o peso da cruz. Mas encontrou-os: na mente fechada dos seus discípulos presos ao passado, na oposição dos poderosos e nas incomodidades reais da vida. Foram os homens que O carregaram com peso da cruz e hoje continuam a ser os homens que carregam os outros homens com peso da cruz.

Num primeiro momento Jesus procurou libertar-se do peso da dor e da cruz, como homem que era, mas depois abraçou a cruz e tomou sobre Si as dores de todos os homens. O plano de Deus era a solidariedade perfeita com todos os homens. Era a troca o Justo pelo pecador, a Vida pela morte, o homem reconciliado com o Amor.

Para Teresa dos Andes toda a dor, tanto em Jesus como nela, é presidida por uma palavra escrita com o próprio sangue: Amor.

«Ele vem com uma Cruz e sobre ela está escrita uma única palavra que comove o meu coração até às suas fibras mais íntimas: ‘Amor’. Oh, que belo o vemos com a sua túnica de sangue! Para mim, esse sangue vale mais que as joias e os diamantes de toda a terra.»

A subida com Cristo ao calvário levando com Ele a cruz não começou nem acabou com Simão de Cirene. Ele é a imagem de quem faz sua a cruz de Jesus e a leva até ao fim do caminho. Esta imagem é a que o confessor recorda a Teresa dos Andes ao dizer-lhe: «Que vivesse crucificada, pois Jesus queria que ela fosse o seu Cireneu. Que Ele lhe dava um braço da sua Cruz, que a recebesse com gosto.»

Umas vezes o sofrimento vinha-lhe da doença. E a isto Jesus responde através da Irmã encarregada pelos estudos: «Minha filha, Jesus ama-a muito, rodeia-a com a sua Cruz. Ofereça-lhe esta dor como uma flor para a sua comunhão de amanhã».

Outras vezes vem da sua própria existência: o cumprimento do dever, o esquecimento de si mesma, a insatisfação com a sua própria vida espiritual. Toda uma lista de sofrimentos:

«Eu já não prefiro sentir ou não sentir o fervor. Abandono-me ao que Jesus quiser. Ofereci-me a Ele como vitima. Quero ser Crucificada. Hoje Jesus disse-me que sofresse, que precisamente porque Ele me amava me fazia sofrer. Que me esquecesse de mim mesma. Que cumprisse com o meu dever. Graças aos seus conselhos e à sua graça fui melhor. Meu Jesus amo-Te. Sou toda tua. Entrego-me por completo à Tua vontade divina. Jesus dá-me a cruz, mas dá-me fortaleza para a levar. Só Te quero ver contente a Ti. Não me importa nada não sentir, estar insensível como uma pedra, porque sei meu Jesus, que Tu sabes que eu Te amo. Dá-me a Cruz. Quero sofrer por Ti; mas ensina-me a sofrer amando, com alegria e com humildade.»

Abraçar a cruz é o convite que nos faz Teresa dos Andes, lembrando-nos que a Cruz e o Amor vão juntos:

«Abraça-te com toda a tua alma a cruz que o Divino Salvador põe sobre os teus ombros. Ele considera-te forte, varonil, já que ta dá, mas é porque te ama infinitamente. Agradece-lhe tanto bem.»

Teresa de Jesus dos Andes