«Parece-me que a atitude da Virgem durante os meses que transcorreram entre a Anunciação e o Nascimento de Jesus é modelo das almas interiores; desses seres que Deus escolheu para viverem dentro de si, no fundo do abismo sem fundo. Com que paz, com que recolhimento Maria fazia todas as coisas! Mesmo as mais vulgares eram por ela divinizadas. Porque em tudo a Virgem não deixava de ser adoradora do dom de Deus. Isto não a impedia de se entregar às coisas de fora quando se tratava de praticar a caridade. O evangelho diz-nos que Maria subiu a toda a pressa as montanhas da Judeia para ir a casa de sua prima Isabel (Lc 1, 39.40). Jamais a visão inefável que ela contemplava em si mesma a impediu de praticar a caridade exterior. Porque, como diz um autor piedoso, se a contemplação tende até ao louvor e à eternidade do seu Senhor, ela possui a unidade e nunca a perderá. Se chega uma ordem do céu, ela volta-se para os homens, compadece-se de todas as suas necessidades, inclina-se às suas misérias. É necessário que chore com eles e que sua presença no meio deles seja fecunda. Ilumina como o fogo; como ele ela queima, absorve e devora, elevando para o céu o que devora. E uma vez que acabou a sua missão na terra volta ao seu interior e recomeça novamente, ardendo no seu fogo o caminho das alturas.»

Isabel da Trindade

«Agradecer o exemplo que nos dá Maria na Visitação à sua prima. Admirá-la na sua generosidade e magnifica disposição para servir. Pedir-lhe que nos visite também a nós, para nos ajudar principalmente nas nossas obras de apostolado, quando nos for dada a oportunidade de sermos também nós percursores do Senhor Jesus. A sua intercessão é a certeza plena da graça divina. Repetir o “Magnificat” fazendo nossos os sentimentos nele expressos. – Rezar sempre com especial atenção este cântico e meditá-lo. A Igreja recomenda-o todos os dias na Liturgia das Horas, na Hora de Vésperas. Fazer surgir em nós uma sincera alegria pela nossa opção, mesmo no meio de trabalhos que nos desiludem, não nos fazem brilhar nem nos dão consolo humano. Então é a hora do Magnificat.

Contemplar Maria como Mediadora de todas as graças, especialmente a graça da fé. Reconhecer que precisamos da intercessão de Maria, para conseguir o que nos falta. Pedir a Maria que nos alcance de Jesus aquilo que é mais necessário».

Tito Brandsman

«Quando vês a minha Mãe comigo nos braços não penses que gozava daquele contentamento sem graves tormentos. Depois que Simeão lhe disse aquelas palavras, meu Pai deu-lhe clara luz para que visse o que eu tinha de padecer» (Rel 36). «Os que andaram mais próximo de Cristo nosso Senhor foram os que tiveram mais trabalhos. Olhemos os que passou a sua gloriosa mãe» (M VII, 4, 5).

«Nós alegramo-nos de poder servir em algo a nossa Mãe, Senhora e Padroeira (F 29,23). Pareçamo-nos em algo, filhas minhas, á grande humildade da santíssima Virgem, cujo hábito trazemos, que é confusão chamarmo-nos filhas suas, que por muito que pareça que nos humilhamos, ficamos muito aquém de ser filhas de tal Mãe (C 13,3). Louvai-a, minhas filhas, que sois verdadeiramente desta Senhora… Imitai-a e considerai que tal deve ser a grandeza desta Senhora e o bem que é tê-la por Padroeira. Olhai minhas filhas… a obrigação que temos de servir a Deus que perseveraram e ficaram para sempre como filhas da Virgem (F 27,10). Cada uma faça de conta… que em si torna a começar esta primeira Regra da Ordem da Virgem de nossa Senhora (F 27,11). Um dia disse-me o Senhor…: nos teus dias verás muito adiantada a Ordem da Virgem (Rel 14). Agora posso dizer o que disse o santo Simeão, pois vi na Ordem da Virgem nossa Senhora o que desejava” (Cta.361).

Santa Teresa de Jesus

«Cada vez sinto mais gratidão para com o Senhor por me ter chamado ao Carmelo. Um dos motivos que me inclinaram para o Carmelo foi ser a Ordem da Virgem. Estas casas chama-se: “Pombalitos ou casas da Virgem”. Como poderemos viver em sua casa e com ela agradar ao Senhor, sem a imitar, como desejava a Santa Madre? (…) A mim o que mais me pede o coração é fazer estes pombalitos cada vez mais pobres e humildes, mais semelhantes à casa de Nazaré, que por isso chamava a Santa Madre aos seus conventos «Casas da Virgem»! Quem nem se está no asilo da Virgem, debaixo do seu manto, sob o seu olhar e com o seu amor! É tão grande a graça da vocação ao Carmelo, que de verdade se pode dizer que tudo é pouco, por muito que seja, para corresponder a ela. Já verá por experiencia própria, quando se encontrar nesta «casa da Virgem» sem outra preocupação que, unida às suas irmãs, dar-se cada dia mais ao Senhor, oferecer-se verdadeiramente para O consolar e ganhar almas para Ele, no oculto, no escondido, apenas sob o seu olhar. (…) Estamos muito unidas nesta casa da Virgem, onde Ele tem as suas delícias; que Ele as tenha cada dia mais como as tinha na casa de Nazaré; que esteja muito do seu agrado, mandando e orientando tudo, uma vez que é a sua casa e é o dono absoluto das coisas e pessoas que são suas. (…) Que festa tão bonita a de Nossa Senhora do Carmo! Cada ano aumenta o amor para com esta dulcíssima Mãe que nos trouxe à sua herdade santa do Carmelo, para que nela renovássemos a sua vida de Nazaré. (…) Que alegria a de uma Igreja mais, um conventinho mais onde se ame o Senhor com todo o coração! Realmente todo o trabalho de uma fundação não é nada, quando se vê o consolo que deve ser para o Senhor.»

Maria Maravilhas de Jesus

Desde pequena amei muito a Santíssima Virgem, a quem confiava todos os meus assuntos. Só com Ela me desafogava e jamais deixava de lhe confessar as minhas e alegrias. Ela correspondeu a esse carinho. Protegia-me e escutava o que sempre o que lhe pedia. Ela ensinou-me a amar a Nosso Senhor. Ela pôs na minha alma o gérmen da vocação. (…) Ela amou-me e, não encontrando tesouro maior para me dar como prova da sua protecção singular, deu-me o fruto bendito das suas entranhas, o Seu Divino Filho. Que mais me podia dar? (…) Um dia em que me encontrava só no meu quarto, enfadada de estar na cama, ouvi a voz do Sagrado Coração que me pedia que fosse toda d’Ele. Não pense que isto foi ilusão, porque nesse instante me vi transformada.

Paizinho, não me negará a permissão. A santíssima Virgem será a minha advogada. Ela saberá melhor do que eu fazê-lo compreender que a vida de oração e penitência que desejo abraçar, encerra para mim todo o ideal de felicidade nesta vida e a que me garantirá a da felicidade na vida eternidade. Irei ao Carmelo para cuidar da minha salvação e a de todos os meus. A sua filha carmelita é a que velará sempre junto do altar pelos seus, que se entregam a mil preocupações necessárias para viver neste mundo.

O fim da carmelita entusiasma-me: rezar pelos pecadores, passar a vida inteira sacrificando-se, sem ver os frutos da oração e do sacrifício. Unir-se a Deus para que circule nela o sangue redentor e ela o comunique à Igreja e aos seus membros, para que se santifiquem. Além disso o seu lema entusiasma-me: “sofrer e amar”. Não foi isto que fez, constantemente, a Santíssima Virgem? Não viveu ela numa contínua oração, em silêncio? Como salva as almas? Por meio da súplica, da oração, do sacrifício (…). O que antes de mais procuraremos é viver essa oração continua em que a Virgem vivia. (…) Sim, pede à Santíssima Virgem que seja a tua guia; que seja a estrela, o farol que brilhe no meio das trevas da tua vida. Que te mostre o porto onde hás-de desembarcar para chegar à celestial Jerusalém. Sim; no Carmelo começamos já a fazer o que faremos por toda a eternidade: amar e cantar os louvores do Senhor. E se esta é a ocupação que teremos no céu, não será por acaso a mais perfeita?

Teresa de jesus dos Andes

«Hoje estive contigo junto à cruz, e compreendi com uma claridade nunca experimentada que sob a cruz tu te converteste em nossa Mãe. Com quanta fidelidade uma mãe terrena se preocupa em cumprir o último desejo de seu filho! Mas tu és a serva do Senhor: o ser e o viver do Deus Encarnado foram inscritos no teu ser e no teu querer. Assim, tu escondeste no teu coração aos que já eram teus e para dar a cada alma nova vida deste como preço a agonia amarga do teu coração sangrante. Tu conheces-nos a todos: sabes as nossas fragilidades e as nossas feridas. E também conheces o resplendor celeste que o amor do teu Filho quer infundir em nós na glória eterna, e com materna

Solicitude guias os nossos passos. Para nos conduzir à meta, não há preço demasiado alto para ti. Mas os que tu escolhestes para tua coroa, para que te circundem um dia diante do trono eterno, devem estar aqui contigo ao pés da cruz: a agonia amarga do seu coração sangrante será o preço para adquirir o resplendor eterno nas almas amadas, confiadas em herança pelo Filho de Deus».

 Edite Stein

«O homem entra nesta devoção atraído pelo excesso de amor que Maria lhe manifesta… Ela derrama amor… amor de Mãe. E as almas vencidas, mudam o amor com amor. Assim actua o bem e foge o mal… Subjugados pelo amor que Maria nos mostrou… não procuramos outra coisa senão corresponder, com uma vida santa, a tanto amor. Amando leva-nos a amá-la». «A festa do dia 16 de Julho, não é uma simples festa, é muito mais. É o dia do ano mais delicioso, o que mais se parece ao dia sem noite do Céu. Põe-nos em intimidade com Maria sob a sua capa branca e faz-nos contemplar a beleza infinita de Deus, da qual é um reflexo a beleza da Nossa Mãe Santíssima. (…) “Faz-me ouvir a tua voz.” A voz doce de Maria. Ela não se calará se nós estivermos atentos para a escutar. (…) Naquele dia peçam à Nossa Santíssima Mãe pela Ordem; creio que é também o dia em que ela faz os seus planos de protecção para todo o ano.

Tudo o que possa dizer mais já o têm no Ofício litúrgico da festa, tão belo; Ofício que a Igreja nos preparou para que saibamos os sentimentos que a Nossa Santíssima Mãe nutre para connosco, os que vivemos no Carmelo, assim como os sentimentos que nós devemos alimentar para com Maria».

Bartolomeu Xiberta