A afeição e o apego
que a alma tem à criatura
igualam a mesma alma
com a criatura,
e quanto maior for a afeição,
tanto mais a iguala e faz semelhante,
porque o amor faz semelhança
entre o que ama e o amado…
E assim, o que ama a criatura,
fica tão baixo como aquela criatura,
e, dalguma maneira, mais baixo;
porque o amor não só iguala,
mas ainda sujeita o amante àquilo que ama.
E por isso,
pelo facto da alma amar algo,
torna-se incapaz da pura união com Deus
e da sua transformação;
Porque a baixeza da criatura
é muito menos capaz
da alteza do Criador,
que as trevas o são da luz.
Subida 1, 4, 3 Eulogio Pacho, As mais belas páginas de S. João da Cruz, Edições Carmelo, Avessadas p.10.


