Assim como Deus não ama

nada fora de Si,

assim nada ama

mais baixamente do que a Si,

porque tudo ama por Si,

e assim o amor tem a razão do fim,

donde não ama as coisas

pelo que elas são em si.

Portanto, amar Deus a alma

é, de certa maneira, metê-la

em Si mesmo,

igualando-a consigo,

e assim, ama a alma em Si consigo

com o mesmo amor com que Se ama.

E, por isso, em cada obra,

porquanto a faz em Deus,

a alma merece o amor de Deus;

porque, posta nesta graça e alteza,

em cada obra merece o mesmo Deus.

Cântico Espiritual B 32, 6

Eulogio Pacho, As mais belas páginas de S. João da Cruz, Edições Carmelo, Avessadas p.9.