No santuário interior de cada um de nós a Páscoa do Senhor Ressuscitado tem a mesma característica da entrada no Círio pascal na Igreja e do ressoar no meio da escuridão daquele grito de nova criação: «Eis a luz de Cristo». Quando decidimos preparar a nossa Vigília pascal seguindo o caminho da história da salvação e nos determinamos a fazer o recorrido das leituras bíblicas, no silêncio orante do nosso coração, vemos acender dentro de nós uma pequena chama que se vai tornando maior à medida que a história de salvação se faz nossa. Ateia-se de tal forma uma chama tão intensa que se torna uma Luz refulgente que ilumina todo o nosso ser. É então que que vemos que o rosto daquela luz é Cristo e que o que aconteceu ao longo daquele percurso foi que Cristo se foi dando a nós, foi incendiando a nossa alma com a sua Presença de tal maneira que a Páscoa do Ressuscitado é a Luz de Cristo a iluminar e a dar sentido, a dar vida nova, à nossa vida. «Já não precisamos da luz da lua nem da luz do sol, porque a nossa Luz é o Cordeiro imolado por nosso amor». É uma luz que nos faz exclamar com toda a alegria do nosso coração: «Já não sou eu que vivo é Cristo que vive em mim»! 

«Eu sou a Luz do mundo» Vamos ver esta luz em três dimensões: a Verdade, o Caminho e a Vida.

Jesus é a luz da Verdade. Sabemos que a ciência é também uma luz, mas uma luz vazia senão conduz a Jesus, «porque todas as coisas foram feitas por Ele». A ciência mais elevada é o conhecimento do ser humana, já que este é um mundo muito profundo e complexo. Porém não é possível conhecê-lo na sua origem e no seu fim, nas suas aspirações e desejos, nas suas debilidades e fraquezas, no seu destino à glória, sem a luz de Jesus, que veio ao mundo para nos fazer participar na sua páscoa, isto é, para nos fazer experimentar a abundância da misericórdia de Deus e nos fazer passar de pessoas que se deixam arrastar pelo pecado à dignidade de Filhos muito amados de Deus Pai. Acima de toda a ciência está a Sabedoria que nos faz conhecer a Verdade de Deus e de cada um de nós. Para nos conhecermos temos de partir sempre da Luz de Jesus, Sabedoria do Pai, que se fez um de nós «para iluminar a todo o homem que vem a este mundo». Nesta Páscoa, o Senhor Ressuscitado ao oferecer-Se a nós, como Luz que nos dá a conhecer a nossa verdade, diz-nos: «Vós sois a luz do mundo. Não se acende uma luz para pôr debaixo do alqueire, mas para pôr no candelabro para que ilumine toda a casa». Jesus convida-nos a ser luz da sua Ressurreição para todos!

Jesus é a Luz no Caminho. Jesus é a luz que indica o caminho mais direito e seguro. Precisamos de O tomar para guia do nosso caminho. Precisamos de O seguir para experimentar na nossa vida a força transformadora das Suas palavras. Ele mesmo o diz: «Eu sou a luz do mundo: o que me segue não anda nas trevas». S. Paulo apresenta-nos um programa de caminho extraordinário: «Sede imitadores de Deus como filhos muito amados, e vivei em amor, como Cristo nos amou e se entregou por nós a Deus como oferta e sacrifício de suave odor… vivei como filhos da luz». Ele apresenta-nos a luz de Jesus não só como meta que nos atrai, mas também como modelo a imitar, como Amigo com quem caminhar. Caminhar com Jesus significa caminhar no Amor. Amar como Ele nos amou e Ele manifestou-nos o Seu amor dando a Sua vida por nós, nós andaremos no caminho da luz do amor se nos determinamos a seguir o caminho da Cruz. Jesus convida-nos a iluminar o nosso caminho com o amor da Cruz gloriosa.

Jesus é a Luz da Vida. «Quem me segue não anda nas trevas mas terá a luz da vida.» A Luz de Jesus é a Luz que conduz à vida. Ela faz germinar na nossa mente a Verdade imutável e eterna, no nosso coração o Amor que tudo vence e na nossa vontade o desejo do Bem. A Luz de Jesus converte a nossa alma em “pano da Verónica”, porque nela fica impresso o rosto do Ressuscitado e dela parte a força da graça que nos reveste da Bondade de Deus nosso Pai, da Justiça que é fruto do Amor com que Cristo nos amou e se entregou por nós, para nos dar a Sua própria Vida, e, da Verdade que é a presença do Espírito Santo a recordar-nos tudo o que O Verbo do Pai veio dizer ao mundo.

A luz de Cristo é o sinal da Páscoa do Ressuscitado no nosso interior; é o sinal da Vida do Ressuscitado em nós.

Jesus ao falar de João Baptista dizia que: «Era uma lâmpada que arde e ilumina». Iluminar sem arder não tem sentido. Arder sem mais é pouco. O necessário é arder e iluminar. Por isso, para nós os frutos da Ressurreição são: coração novo, Coração de Páscoa aceso no lume novo da Luz do Ressuscitado, que arde e aquece no amor, olhos novos, olhos de Páscoa capazes de ver a nova Criação que Deus está a realizar, porque Ele está sempre a actuar na nossa história e no nosso mundo. E se no nosso santuário interior escutamos fortemente o pregão pascal: «Eis a Luz de Cristo» então somos testemunhas da Ressurreição e entramos verdadeiramente na luz da vida, que não é apenas luz da vida eterna, mas comunhão de vida divina, que nos faz saborear a presença de Deus em nós e conhecermo-nos em Deus.

Com a luz de Cristo Ressuscitado em nós entramos nesta comunhão de vida com Deus, que nos faz entrar no coração da vida que o Pai, o Ressuscitado e o Espírito de Amor vivem e que Jesus nos oferece: «Que todos sejam Um, como Tu, Pai, o és em mim e eu em Ti, para que eles sejam Um em nós».

Teresa dos Andes fala-nos desta ‘comunhão de vida’ como união, como um viver no outro, Naquele que amamos. É uma união de vida tão íntima que reclama a pertença mutua. Teresa vive em Jesus e Jesus vive em Teresa. Teresa pertence a Jesus e Jesus pertence a Teresa. «Não existirá jamais separação entre as nossas almas. Eu viverei n’Ele».

Esta comunhão de vida, esta mutua pertença, esta intercomunicação de existências ao fim fica reduzida a uma única existência: a de Jesus. E não poderia ser doutra maneira, escreve ela: «não sou eu a que vivo, é Jesus».

O que acontece neste mistério é a Páscoa de Jesus em Teresa. É o revestir-se de Cristo, um ‘fundir-se’ com Ele, o adquirir um peso infinito de bem, de beleza e perfeição. Mas para isto também a cruz é o caminho:

«Jesus deu-me a entender que para encontrar a perfeição é necessário o desapego completo de si mesma, quer dizer o esquecimento de si mesma que alcançamos pela união com Jesus, de tal forma que cheguemos a formar com Ele ‘uma só pessoa’, e procurando sempre o que Lhe agrada a Ele.»

O que Teresa quer dizer é que estava tão unida a Deus que andava «englofada n’Ele». Estava «submergida n’Ele. Perdida na sua imensidade. Compenetrada pela sua sabedoria. Vivendo vida de Deus porque é Ele o meu alento de vida, Ele é o meu tudo».

Que como Teresa dos Andes nos deixemos penetrar pela “Luz de Cristo” que vai ressoar nesta noite Santa de Páscoa e possamos testemunhar a passagem do Ressuscitado pelas nossas vidas. Que o nosso coração e os nossos olhos sejam Coração e Olhos de Páscoa e a nossa vida luz que arde e ilumina porque está unida a Cristo Ressuscitado!

Santas Festas Pascais na alegria do triunfo do Senhor Ressuscitado sobre a morte e o mal!

Aleluia! Seja o Ressuscitado o nosso alento de vida e vivamos vida de Deus, porque Ele é o nosso Tudo!

 Aleluia! Aleluia!  

As Irmãs do Carmelo de Cristo Redentor