Talvez pense que ao falar-lhe de oração lhe ensinarei como deve sentar-se ou respirar, quanto tempo deve dedicar ao seu exercício como dividi-lo para o ocupar bem. Não é essa a minha intenção, falarei antes dos que eu considero que são os fundamentos sobre os quais se há-de levantar o edifício da oração: o Amor de uns com os outros, o desapego de todo o criado e a humildade (que, ainda que a diga no fim é a principal). Que, se estes faltam, virá abaixo todo o edifício. E, para nos unirmos com Deus, que é o próprio Amor, claro está que há-de ser caminhando no amor, como nos ensinou o seu divino Filho. Aprenderemos amar os irmãos se pusermos o nosso olhar em quem nos amou até ao extremo de dar a sua vida por nós e nos pediu que aprendêssemos do Seu exemplo.

Pelo que se refere ao necessário desapego, parece é claro que temos de libertar-nos de tudo o que não é Deus para chegarmos a Ele. Porque se os queres e as coisas ocupam os nossos pensamentos e as nossas forças, como diremos que amamos ao Senhor acima de tudo? Se recordamos sempre que só Deus Basta veremos que pouca importância têm outras coisas.

Dizia-lhe que é igualmente necessária a humildade, que não é outra coisa senão andar na verdade; isto é: conhecermo-nos, descobrir que não estamos ocos, vazios, mas que o Deus Menino, (o próprio Deus), nos habita e compreender que estamos chamados a unirmo-nos com Ele e que, ainda que só com as nossas forças nãos somos capazes, podemos dispor-nos para que Ele opere (actue) em nós.