A encarnação de Jesus, ou seja, a entrada de Deus na nossa condição humana, é o ponto central da história, o momento mais solene e definitivo desta. São José com a sua missão participou da grandiosidade deste momento histórico, enquanto descendente de Davi, ao apresentar ao  mundo, o herdeiro das Promessas, o Messias esperado. Nesta função ele recebeu a missão mais alta que se possa imaginar; aquela de cuidar do Filho de Deus, de proteger a pureza de Maria, sua esposa, e de cooperar com a encarnação divina para a salvação da humanidade. Ele, o único chamado  para participar, juntamente com Maria, do conhecimento do grande mistério escondido nos séculos, com a sublime prerrogativa de guiar, de assistir e de cuidar do Salvador do Mundo, ao qual, não somente assegurou a herança das promessas messiânicas e o seu nascimento honrado e conveniente neste mundo, mas também deu-lhe o estado civil, a categoria social, a condição económica, a experiência profissional, o ambiente familiar e a educação humana, segundo as palavras de Paulo VI.

Sendo escolhido para ser o esposo da mãe de Deus, José participou da excelsa dignidade da sua esposa através do vínculo conjugal. Por tamanha grandeza, o próprio Jesus, Filho de Deus, não o considerou apenas como o seu guarda, mas quis que ele fosse publicamente reconhecido e estimado diante da lei e através do testemunho vivido pela sua obediência a José, do seu respeito e do seu filial amor como seu pai e chefe de sua família.

A grandeza e a santidade de José estão unidas no cumprimento fiel da mais alta ordem divina que lhe conferia uma tal missão para ser o legítimo e natural guarda, chefe e defensor da divina família de Nazaré.

            Para São José não é suficiente reservar um  lugar na cena do presépio, como se reserva aos animais que nele estão presentes. A sua presença no presépio pode ter apenas uma função decorativa, tanto é verdade que a sua ausência não diminuiria em nada o mistério da encarnação. Para muitos, no comentário das narrativas da infância de Jesus, São José muitas vezes é esquecido, ou é tido como alguém secundário, sem nenhuma incidência no acontecimento de Belém. Para alguns a figura dele chega de ser até um obstáculo em relação à virgindade de Maria, a tal ponto que desde a antiguidade ele foi pintado ou descrito como um velho, diminuído em sua função em relação à sua especial função de esposo e de pai.

Contudo basta aprofundar um pouco mais a sua presença na história da salvação para constatar que o evangelista afirma que Jesus era tido por todos como Filho de José, o que significa que José devia demonstrar ser pai, e que portanto a sua idade não podia ser avançada. Como poderia Deus que estabeleceu que Jesus nascesse de uma Virgem desposada, não lhe dar um marido que aos olhos do povo parecesse suspeito de não ser o pai do menino?

Por isso devemos enquadrar a perspectiva justa de José, a qual é aquela narrada pelo evangelho onde lembra que o plano divino da encarnação do Filho de Deus exigia necessariamente a descendência davídica e que José neste sentido realizou esta exigência, assegurando-lhe o indispensável título de Filho de Davi. Desta forma, a grandeza moral ou santidade de São José, está ligada à função que recebeu no exercício do plano de Deus, pois se Deus o escolheu para esposo de Maria é porque o achou digno do privilégio de compartilhar a sua vida com a criatura mais sublime desta terra.

José é o esposo de Maria, a mãe de Jesus e porque ela é a mãe de Deus, é importante considerar a afirmação de Leão XIII que diz: “se Deus deu à Virgem Maria São José como esposo, deu não apenas para companheiro de vida, testemunha de sua virgindade, tutor de sua honestidade, mas também para que participasse, devido o pacto conjugal, da sua excelsa grandeza”. Em vista da sua paternidade como esposo de Maria, para acolher Jesus encarnado, José recebeu de Deus toda a dignidade espiritual desta paternidade em relação  a Jesus, ao qual ele sustentou com amor, vestiu-o, defendeu-o e educou-o. Desta maneira, como não pensar nas singulares graças e dons com os quais Deus abundantemente o enriqueceu para que estivesse em grau de desempenhar com perfeição as tarefas de esposo e de pai que lhes eram devidas?

A grande missão que José recebeu para desempenhar e colaborar no mistério da Redenção, ele desempenhou-a com humildade e no escondimento, aceitando obedientemente o desígnio de Deus  e justamente por esse seu comportamento de serviço humilde e desinteressado, é que a Igreja o apresenta como o ponto referencial para todos os cristãos, no cumprimento da vontade de Deus, seja os sacerdotes, os religiosos, os pais, os esposos, os noivos, os operários, os ricos, os pobres… São José ensina a todos que para “ser bons e autênticos seguidores de Cristo não é necessário fazer coisas grandes, mas bastam virtudes comuns, humanas, simples, contanto que verdadeiras e  autênticas” (Papa Paulo VI).

 Deus teve plena confiança em São José e por isso confia-lhe a ele “o mistério cuja realização fora esperado por tantas gerações pela estirpe de Davi e por toda a casa de Israel, e ao mesmo tempo confia-lhe tudo aquilo que era necessário para cumprimento deste mistério na história do povo de Deus” (João Paulo II). Por isso a Igreja hoje não pode não olhar com simpatia e amor aquele obscuro carpinteiro de Nazaré, humilde e grande, frágil e forte, ignorado e importante, a fim de imitar seus exemplos e invocar seu patrocínio, pois ele é, na verdade um Santo atual.

Oração
«Se temos de caminhar em terra estrangeira,
Ou buscar pousada de casa em casa,
Vai adiante como guia fiel,
Tu, o companheiro de caminho da Virgem Puríssima,
Tu, pai fielmente preocupado do Filho de Deus.
Belém e Nazaré, inclusive o Egipto,
Será o nosso lar, se tu permaneceres connosco.
Onde tu estás, está a bênção do céu.
Como crianças seguimos os teus passos;
Cheios de confiança pomo-nos nas tuas mãos:
Sê nosso lar: São José, cuida de nós!»