Aqui no Carmelo é costume fazer desafios na prática das virtudes. Assim eu desafio-vos a três virtudes para honrar a Santíssima Virgem no seu mês:

  1. Recolhimento interior a todas as horas e exterior na capela e nos actos de piedade, mantendo-se com os olhos baixos e sempre de joelhos, quanto for possível. Este recolhimento interior ajuda ao exterior, que consiste em permanecer na presença de Deus. Esta presença de Deus deve ser como melhor se acomode à alma. Assim pois, se tu te unes mais a Jesus Sacramentado, está muito bem, pois não se deve esforçar a alma para conseguir outra presença de Deus. No entanto, ouvi dizer que é muito boa essa presença de Jesus Hóstia, mas quando não se está perto do tabernáculo é mais difícil o recolhimento e, como tal, convém trazer essa presença de Deus na alma. Esta presença é real, pois o próprio Salvador disse aos seus Apóstolos: «Aquele que me ama guardará a minha palavra, o meu Pai o amará e nós viremos a Ele e faremos nele a nossa morada. De modo que a Santíssima Trindade vive na alma em graça. Deus é o céu. Viver no céu é viver unida aos anjos e santos. Desta forma podemos viver incessantemente unidas aos seus louvores e adorações, na nossa alma. Este é o fim de uma carmelita; pois a sua única ocupação é a contemplação, de onde se depreende o amor e a adoração, a qual, como diz um autor, é o êxtase do amor que cala pois já não pode falar.
    Perguntam-me se é possível cada pessoa fazer uma imagem de Deus ou de Nosso Senhor. A Deus é impossível, porque é espírito, e se criamos uma imagem Dele teremos uma ideia falsa. Por isso esta presença é mais difícil, mas podemos trazer nosso Senhor na nossa alma. Tenham-nO presente como Menino, ou como Crucificado ou como Ressuscitado. O Importante é que o tragam no vosso interior, porque a alma ganha muito no recolhimento. E a razão é porque a alma se sente mais unida a Ele, como se estivesse n’Ele ou com Ele, e esse olhar da alma ao seu Esposo a inflama em amor. Pode olhá-lO a todas as horas e esse fixar os olhos em Jesus a pacificará se está perturbada, a fortalecerá se está abatida, a recolherá se está dissipada.
  2. Fidelidade à graça. Não negar nada a Nosso Senhor. Sobretudo em ser fiéis no cumprimento das normas de vida. Para isso ajuda a presença de Deus e o propor-se a cada hora a cumprir os deveres dessa hora o mais perfeitamente possível, pensando que nisso se cumpre a vontade de Deus. Logo que se levantem pensem que, nesse dia, têm que cumprir perfeitamente a vontade de Deus. Unam-se ao «eis que venho ó Pai» pronunciado por Jesus, às suas orações, sofrimentos e alegrias, oferecendo tudo pelos pecadores.
  3. Humildade. Não falando de si mesmas, não dando a sua opinião a não ser que lha peçam, não chamando a atenção de ninguém, aceitando as humilhações e repreensões em silêncio, sem se entristecer, mas alegrando-se em se parecer em algo com Jesus.

Ao fim do mês de Maria vamos ver quem ganhou o desafio. Eu prometo-lhes todos os dias encomendá-las à Santíssima Virgem. Façam o mesmo comigo. Na comunhão também pedirei por vocês.

A Deus. N’Ele vivemos. Amemo-lO já que Ele nos amou primeiro e deu a sua vida por nosso amor. Demos-Lhe a nossa vida morrendo a nós mesmas através da renúncia da nossa vontade e dos nossos gostos.

Abraça-vos a vossa humilde irmã
Teresa de Jesus, Carmelita