«Diz-me: há algo bom, belo, verdadeiro que possamos conceber em que Jesus não esteja, não já num grau superior, mas infinito? Sabedoria, para a qual nada há de secreto; poder para o qual nada existe de impossível; verdade, que exclui absolutamente o que não é; justiça, que o faz encarnar para satisfazer o pecado, a desordem do homem; providência, que sempre vela e sustem; misericórdia, que jamais deixa de perdoar; bondade que esquece as ofensas das suas criaturas; amor, que reúne todas as ternuras, e que, fazendo-o sair do abismo da sua grandeza liga-O estreitamente às suas criaturas; beleza, que extasia… Que pensas ser possível encontrar no íntimo da alma que não esteja em grau infinito neste Homem-Deus?

Deus é dom; é comunicação de si mesmo e por isso um Deus que diviniza. O Deus de Teresa dos Andes é um Deus prático, ativo, santo e santificador. É um Deus que modela o ser humano com as suas mãos amorosas, que continua a tirar as impurezas do seu barro, para o tornar participante da sua santidade com o sopro do seu carinho.

Esta identificação com Deus e as suas perfeições infinitas exige que percorramos um caminho de perfeição. «Deus disse-me que procurasse ser perfeita. E explicou-me cada uma das suas perfeições na prática, pedindo-me que agisse sempre com perfeição, pois deste modo Ele eu permaneceríamos unidos, porque Ele actua sempre com perfeição.»

A Sua realeza está em possuirmos as suas perfeições que nos assemelham a Ele:
«Via a sua Grandeza infinita e como se baixava para se unir a mim, nada miserável, Ele a Imensidade, com a pequenez; a Sabedoria, com a ignorância; o Eterno, com a criatura limitada; mas sobretudo, a Beleza, com a fealdade; a Santidade com o pecado. Então no íntimo da minha alma, de uma maneira rápida, me fez compreender o amor que o fazia sair de Si mesmo para me procurar».

A presença das perfeições na vida de Teresa

«Existimos para Deus manifestar em nós a sua Bondade.
Terminarei a minha carta dizendo-lhe que se deixe invadir por Deus. Viva n’Ele pela fé. Entregue-se a Ele passivamente. Não deixará de se apoderar de todo o seu ser. É todo amor; e nós só existimos para a sua infinita Bondade. Respiremos o ambiente divino em que vivemos. Deus está em nós e em cada ser criado. Adoremo-l’O com fé.

Escuta o que a Sabedoria infinita ensina, sentindo os batimentos do seu coração.
Não fiques desconsolada por não poder discorrer nem saber dizer nada a Nosso Senhor. Ele sabe bem como somos miseráveis. Quem saberá dizer algo ao Verbo, à Palavra Eterna, à Sabedoria divina e incriada? A mim acontece-me muitas vezes o mesmo, e nem por isso acredito que a minha oração é má; pois o fim da oração é inflamar-nos no amor do nosso Deus.

Às vezes imagino-me estar submergida n’Ele, como num imenso abismo.
Como queria, desde que teve o uso da razão, ter-me dedicado a conhecer este Deus tão bom, a este Ser infinitamente belo. Deus enche-nos, ultrapassa-nos por completo, porque é imenso e todas as coisas estão n’Ele. (…) Sou muito ruim, no entanto Nosso Senhor é a própria bondade para comigo. Que grande e imenso me parece Deus!

Ai, Senhor como és grande na tua misericórdia.
Tenho ansias de lhe oferecer algo para poder corresponder ao seu amor infinito, ainda que seja imperfeitamente. Mas tudo fica em desejos e nada em obras. Mas Ele conhece-me e ama-me e recebe os meus desejos e cobre-me com a sua misericórdia.

Não compreendo como Deus se aproxima de mim miserável pecadora; Ele que é a própria santidade.
Banhemo-nos nessa fonte de santidade e peçamos-lhe o mundo inteiro das almas, porque não nos dirá que não. Porque o seu coração bate em uníssono com o nosso; de modo que todos os nossos desejos são d’Ele e Ele é Todo-poderoso.

Queria fazer-te ver o horizonte infinito formosíssimo, incriado que vivo contemplando.
Se o estar só na sua presença, se apenas olhá-l’O basta para O amar, e estamos tão cativadas pela sua Formosura que não Lhe podemos dizer- outra coisa senão que O amamos, porquê inquietar-nos? O importante é este olhar amoroso ao Amigo da nossa alma.
Vê esse Menino a chorar nos braços da sua pobre Mãe. Esse choro são os gemidos do que é a Alegria infinita. Como não amar esse Jesus com toda a nossa alma? Ele que é a Beleza incriada; Ele a Sabedoria eterna; Ele a Bondade, a Vida, o Amor. Como poderá uma alma não se abrasar em amor à vista desse Deus que é arrastado pelas ruas de Jerusalém com a cruz sobre os ombros?

Na sua grandeza não se esquece das suas criaturas, e constantemente actua com amor e paternal solicitude. Meditei em Deus e, quando penso n’Ele, fico sumida no amor. Vejo a sua grandeza infinita e a minha miséria extrema e vejo o que é o pecado e o que é o grande amor de Deus.

Quando se conhece a Deus; quando no silêncio da oração ilumina a alma com um raio da sua formosura infinita; quando ilumina o entendimento com a sua sabedoria e poder; quando inflama com a sua bondade e misericórdia, olha-se tudo o que é da terra com tristeza. E suspira com ardentes ímpetos por contemplar sem cessar esse horizonte infinito, que à medida que se contempla vai aumentando sem encontrar em Deus limite algum.

Como não agradecer ao Senhor todos os favores que me concede?
Já que me dei a Ti, quero-me dar completamente. Desde agora começo a olhar apenas para Ti, pois Tu és o único ser soberano, o único Rei. Quero que todas as minhas acções sejam segundo a tua vontade. Já não me importa a pobreza, os desperdícios, pois tudo me leva a Ti. Quero ser indiferente a tudo menos a Deus e à minha alma.»

Entreguei-me a Ele,
É impossível dizer tudo o que quero.
O meu pensamento não se ocupa senão d’Ele.
É o meu ideal. É um ideal infinito.

Suspiro pelo dia de me ocupar só d’Ele,
Para me fundir n’Ele
E para viver a vida d’Ele.

Oh, amo-O tanto!
Queria inflamar-te nesse amor.
Que dita a minha se te pudesse dar a Ele!
Oh, nunca tenho necessidade de nada,
Porque em Jesus tenho tudo o que procuro.

Ele jamais me abandona.
Jamais o seu amor diminui.
É tão puro. É tão belo.
É a própria Bondade.