Desde muito cedo Deus despertou em mim a vocação missionária. Consagrada a Deus, num Instituto Secular Missionário, “Rezar, trabalhar, e sofrer “ pela Igreja Missionária respondendo ao Seu Amor, para que muitos irmãos conheçam Jesus Cristo e O amem (amar e ser amados).

Aos 33 anos parti para o Equador e um ano depois passei a fronteira para a Colômbia. Foi uma forte experiência do dom da fé e de partilha. Depois de alguns anos regressei a Portugal por questões de saúde, mas acolhendo sempre no meu coração toda a humanidade. Muitos irmãos ainda não têm a graça de fazer parte da Igreja, “Corpo Místico de Cristo”. Sentindo-me sempre confirmada na vocação.

“Porque os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos nem os Meus caminhos os vossos caminhos”

Num retiro que fiz, escutei no meu coração que o Senhor me dizia: “quero-te a ti fica comigo, porque corres atrás de tudo e de todos” Onde? Como? Depois de muito tempo de oração, e discernimento, acompanhada espiritualmente, Deus, que “perscruta os corações” fez-me um novo chamamento, mostrou-me uma nova Estrela: “Vem comigo a um lugar apartado”.

Após um tempo de experiência no Carmelo com as Irmãs, onde senti fortemente que pisava um lugar sagrado, e a presença de Deus era muito intensa, percebi que era ali que Deus me queria e pedi à Comunidade para entrar.

Agora posso dizer que este lugar apartado encontrei-o no Carmelo de Cristo Redentor. Na solidão, no silêncio na oração e Contemplação – do Mistério de Cristo. Entregando-me cada dia na simplicidade da vida Comunitária, pela Igreja, Corpo Místico de Cristo. Tudo o que antes tinha muita importância para mim: a casa, o carro e a profissão, passaram para segundo lugar. A minha opção não foi fuga da realidade do mundo, mas sim a realização plena do desejo de ser o Coração da Igreja, de viver uma vida escondida em Deus com Cristo, de ser uma Voz do Alto que proclama: “Deus existe”. Santa Teresinha, Carmelita Descalça, marcou a minha vida desde os quinze anos, ela que queria ser missionária até aos confins da terra. Diante de Deus, pela Palavra de S.Paulo, dizia: “No coração da Igreja eu serei o Amor”.

Prestes a professar os Votos Solenes, e, em comunhão com as minhas Irmãs de Comunidade e todos os Santos carmelitas, eu rezo:

Meu Deus – Trindade, fazei desta Vossa serva,
uma oblação pura, purificada pelo Vosso Sangue,
Uma chama viva, com o coração a arder de Amor por Vós,
por toda a Igreja e salvação dos Irmãos,
sob o Manto Maternal da Virgem Maria,
Mãe do Carmelo.
“Dou – Vos graças por seres a porção da minha herança e do meu cálice.
Está nas Vossas mãos o meu destino.
Couberam-me em partilha terras aprazíveis
Muito me agrada a minha sorte
Bendigo-Vos, Meus Deus, por me terdes aconselhado
Até de noite me inspirais interiormente
Vós estais sempre na minha presença
Convosco a meu lado não vacilarei”

Deus chama-nos. Ele ama-nos, e a cada um quer mostrar- o caminho que pensou desde sempre, o único que nos  fará felizes e pelo qual ajudará muitos outros a encontra a verdadeira felicidade.  O desfio está em escutar a voz de Deus que nos fala e procurar um “Moisés” que nos ajude a ler os sinais da Sua presença, pois “Vocação acertada é felicidade assegurada”. O único necessário é, como diz S. João da Cruz, “crer sem medo e amar sem medida”.

Irmã Emília Maria da santíssima Trindade