Nunca amei tanto a Santíssima Virgem! Choro de alegria ao pensar que esta criatura completamente serena, toda luminosa é minha Mãe e alegro-me com a sua beleza como uma criança que ama a sua mãe. Tenho uma inclinação muito forte para ela. Erigi-a como rainha e guardiã do meu céu. E do teu. Porque faço tudo por nós as duas. É preciso riscar a palavra «desânimo» do teu vocabulário de amor. Quanto mais sentes a tua fraqueza, a tua dificuldade em te recolheres, quanto mais o Mestre parece escondido, mais te deves alegrar, porque então mais te podes dar. E não é melhor dar que receber quando se ama? Que importa o que nós sentimos; Ele é o Imutável, Aquele que não muda nunca. Ele ama-te hoje como te amou ontem, como te amará amanhã. Mesmo se tu lhe causares sofrimento, lembra-te que um abismo clama por outro abismo, e que o abismo da tua miséria atrai o abismo da sua misericórdia. Ele chama-me muito também para o sofrimento, o dom de si: parece-me que é o termo do seu amor.

Ajuda-me a preparar a minha eternidade, parece-me que a minha vida já não será muito longa. Amas-me o bastante para te alegrares que eu vá repousar onde já vivo desde há muito. Gosto de te falar destas coisas; sou egoísta porque vou talvez causar-te sofrimento, mas gosto de te elevar mais acima do que é mortal, ao seio do Amor infinito.

As minhas pobres pernas fazem progressos, e aproveito para fazer visitas à pequena tribuna, é divino! Sou a pequenina reclusa do Santo Deus e quando volto à minha querida cela para continuar o colóquio começado na tribuna apodera-se de mim uma alegria divina. Amo tanto a solidão com Ele só, e levo uma pobre vida de eremita verdadeiramente deliciosa. Mas tu sabes que esta vida está longe de ser isenta de dificuldades. Também eu tenho necessidade de procurar o meu Mestre que se esconde bem. Mas então desperto a minha fé, e fico mais contente de não gozar a sua presença, para O fazer gozar a Ele, do meu amor. De noite, quando acordares une-te a mim. Queria poder convidar-te a vires para junto de mim; é tão misteriosa, tão silenciosa, esta celazinha de paredes brancas em que sobressai uma cruz de madeira escura sem Cristo. É a minha aquela em que devo imolar-me a todo o instante para ser conforme ao meu Esposo crucificado (Ct 298).

 

Santa Isabel da Trindade