«Minha querida Senhora, vivamos com Deus como com um amigo. Tornemos viva a nossa fé para em tudo comungarmos com Ele, é assim que se fazem os santos. Trazemos em nós o nosso Céu, pois Aquele que sacia os glorificados na luz da visão, dá-se-nos na fé e no mistério: é o Mesmo! Parece-me que encontre o meu céu na terra, porque ‘o Céu é Deus e Deus é a minha alma’. No dia em que compreendi isto, tudo em mim se iluminou e gostaria de dizer baixinho este segredo àqueles que amo para que também eles em tudo adiram sempre a Deus e que se realize esta prece do Cristo: “ Pai, que eles sejam perfeitos na unidade”!

“Sabemos que quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal qual é. E quem quer que tenha esta esperança santifica-se, como Ele próprio é santo”. Eis a medida de santidade dos filhos de Deus: ser santo da mesma santidade de Deus. E isto, vivendo em contacto com Ele no fundo do abismo sem fundo, “por dentro”. “Pai Nosso que estais nos céus”: é neste pequeno céu, que Ele para si construiu no centro da nossa alma que o devemos procurar e, sobretudo, aí morar. Um dia Cristo dizia à Samaritana que “o Pai buscava autênticos adoradores em espírito e verdade”. Para darmos alegria ao seu Coração sejamos essas adoradoras. Adoremo-l’O em espírito, quer dizer, tenhamos o coração e o pensamento fixos n’Ele, o espírito cheio do conhecimento pela luz da fé. Adoremos em verdade, isto é, pelas nossas obras, pois é sobretudo pelos actos que somos verdadeiros: é fazer sempre o que agrada ao Pai, de quem somos filhos. Oh, estejamos atentas à misteriosa voz do nosso Pai! Minha filha, diz ela, dá-me o teu coração”.

Como podemos santificar as menores coisas, transformar os actos mais vulgares da vida em actos divinos! Tudo vai da intenção. Uma alma que vive unida a Deus apenas pratica o sobrenatural, e as acções mais vulgares, em lugar de a separar d’Ele, pelo contrário, não fazem senão aproximá-la cada vez mais».

Isabel da Trindade