Querida Amiga

Jesus alimenta-me diariamente com a sua carne adorável, e junto com este manjar, escuto uma voz doce e suave como os ecos harmoniosos dos anjos no Céu. Esta é a voz que me guia, que solta as velas do barco da minha alma para que não sucumba e para que não me afunde. Sinto sempre essa voz querida que é a do meu Amado, a voz de Jesus no fundo da minha alma; e nos meus sofrimentos e nas minhas tentações, Ele é o meu Consolador, Ele é o meu Capitão.

No outro dia, vendo o Santíssimo exposto, perguntava-me porque não nos tornamos loucos de amor por Ele. Ele, verdadeiro Deus, sob as espécies de pão e até à consumação dos séculos. Que grandeza, que amor infinito! Amor não conhecido, não correspondido pela maioria dos homens.

Queria fazer compreender às almas que a Eucaristia é um céu, pois que “o Céu não é senão um sacrário sem portas, uma Eucaristia sem véus, uma comunhão sem fim”.

Que pobre, que apagado me parece o culto que tributamos ao nosso Deus Sacramentado! Que pouco respeito temos por Aquele perante o qual os serafins se cobrem e se aniquilam! E Ele suporta tudo em silêncio. Mantém-se sem esplendor, oculto sob o pão, para viver no meio das suas criaturas. Oh, que bom é! Quão infinito é o seu amor! Como não enlouquecemos de amor?

Depois de comungar, sinto-me no céu e dominada pelo amor infinito do meu Deus. Às vezes sinto que o único consolo neste desterro é a comunhão, onde me uno intimamente com Ele. Para mim é inconcebível que, tendo ansias de ser feliz, não se busque a Jesus. Depois de comungar temos tudo, porque temos a Deus, que é o nosso céu.

Porque não te aproximas para comungar diariamente? Tu mesma viste que quando comungas és melhor. Se não sentes fervor, ele irá aumentando em cada comunhão. Pede a Nosso Senhor, que não to negará.

Busca a Jesus na Eucaristia e viverás com Ele como vivia a Santíssima Virgem em Nazaré. Na Eucaristia vive entre nós esse Jesus, esse Deus, que chorou, gemeu e se compadeceu das nossas misérias. Esse Pão tem um coração divino com as ternuras de pastor, de pai, de mãe, de Deus… Escutemo-l’O, pois Ele é a Verdade. Olhemo-l’O pois Ele é a imagem do Pai. Amemo-l’O, que é o amor dando-Se às suas criaturas. Que união, por maior que seja, pode ser comparável a esta?

Que possa Jesus encontrar no teu coração um lugar onde possa descansar. Prepara-te bem, pensando Quem é que vais receber. É Deus verdadeiro que desce para nos visitar e para nos converter n’Ele. Ele faz-se nosso alimento para nos dar vida. Um Deus alimento… Pão das suas criaturas, não é para morrermos de amor?  Jesus vem cheio de infinito amor e nós recebemo-l’O frios e só sabemos fazer pedidos, sem O adorar, sem chorar de agradecimento aos seus divinos pés.

Depois de comungares, diz a Jesus – esse Deus que tens prisioneiro do teu coração – que fique contigo, para que todo o dia O continues a amar e a dar-Lhe graças.

Amemos a Jesus que tanto nos amou. Aproximemo-nos do Sacrário muitas vezes ao dia com o pensamento. Ele olha-nos sempre e deseja que O amemos. Ele vive ali mais pobre do que em Belém, mais impotente do que quando era menino…

Jesus está no Sacrário! Ali olho-O pela fé e escuto-O. Não O queres escutar tu também?

Teresa de Jesus dos Andes