A palavra ‘paz’ indica a totalidade dos bens que Jesus trouxe aos homens. O dom da paz marca o início da sua missão sobre a terra, acompanha o seu desenvolvimento e é a coroa da mesma. Paz cantam os anjos junto da gruta de Belém, onde o “Príncipe da Paz” se encontra deitado na manjedoura (Lc 2, 14). “Paz” é o desejo que brota do Coração de Cristo diante da fragilidade do nosso corpo – «Jesus disse: «Alguém me tocou, pois senti que saiu de mim uma força.» Vendo que não tinha passado despercebida, a mulher aproximou-se, a tremer; e, lançando-se aos pés de Jesus, contou diante de todo o povo por que motivo lhe tinha tocado e como ficara imediatamente curada. 48Disse-lhe Jesus: «Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz.» (Lc 8, 48)

“Paz” é ainda a palavra de Jesus diante do nosso pecado – voltando-se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; ela, porém, banhou-me os pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. 45Não me deste um ósculo; mas ela, desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. 46Não me ungiste a cabeça com óleo, e ela ungiu-me os pés com perfume. 47Por isso, digo-te que lhe são perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama.» Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados. (…) A tua fé te salvou. Vai em paz.» (Lc 7, 50)

“Paz” é a saudação luminosa do Ressuscitado aos seus discípulos: Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» (Lc 24, 36), que Ele, no momento de deixar esta terra confia à acção do Espírito Santo, fonte de “amor, alegria e paz” (Gal 5,22).

Uma paz que é ao mesmo tempo reconciliação. Como consequência do pecado estabeleceu-se uma profunda ruptura entre Deus e o ser humano. E toda a história da salvação não é senão o relato das vezes que Deus vem ao nosso encontro, para nos oferecer a Sua amizade, a vida em união com Ele, na liberdade e no amor, na comunhão e na paz.

No Coração de Cristo, cheio de amor pelo Pai e por nós seus irmãos, realizou-se a perfeita reconciliação entre o céu e a terra: «Fomos reconciliados com Deus mediante a morte de seu Filho» (Rm 5,10).

Para fazermos a experiencia da reconciliação e da paz temos de acolher o convite do Senhor e ir a Ele: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos» (Mt 11, 28). Ao irmos ao Seu Coração vamos descobrir que aí encontramos paz e repouso; a nossa dúvida transforma-se em certeza, a nossa angústia em tranquilidade, a tristeza em alegria; a perturbação em serenidade. Ao irmos a este Coração cheio de amor somos envolvidos pelo alívio para a nossa dor, pela coragem para superar o temor, pela generosidade para não ceder ao desalento e nos lançar no caminho da esperança.

Jesus é a nossa paz, n’Ele Deus reconciliou consigo todas as coisas.

Teresa de Jesus dos Andes