Chegam as «tempestades violentas» … «Porquê ter medo?» diz Jesus. «Quem perder a sua vida por Mim, há-de salvá-la!». O corpo pode perecer, «mas não se pode matar a alma»!

Enfraqueço de dia para dia e sinto que o Mestre não tardará muito mais em vir buscar-me. Gozo, experimento alegrias desconhecidas. A alegria da dor, oh, como é suave e doce!… Antes de morrer sonho com ser transformada em Jesus Cristo Crucificado e isto dá-me tanta força no sofrimento. Nós, não deveríamos ter outro ideal senão o de nos conformar com o Modelo divino. Então, que ardor nos levaria ao sacrifício, ao desprezo de nós mesmos, se tivéssemos sempre os olhos do coração orientados para Ele. Uma santa escrevia, ao falar do Mestre: “Onde habitava Ele senão na dor?” Efectivamente essa foi a sua residência durante trinta e três anos que passou sobre a terra e não é senão aos privilegiados que Ele a faz partilhar. Se soubesses que alegria inefável a minha alma goza ao pensar que o Pai me predestinou para ser conforme ao seu Filho Crucificado… É S. Paulo que nos refere esta eleição divina que parece ser a minha herança (Rm 8,29). À luz da eternidade Deus faz-me compreender muitas coisas, e venho dizer-te como vindo da sua parte para não teres medo do sacrifício, da luta, mas antes alegrar-te com ele.

Se a tua natureza é objecto de combate, um campo de batalha, oh, não desanimes, não te entristeças. Direi de boa vontade: ama a tua miséria porque é sobre ela que Deus exerce a sua misericórdia e quando te vês lançada na tristeza que te dobra sobre ti mesma, isso é amor-próprio! Nas horas de desfalecimento, vai refugiar-te sobre a oração do teu Mestre. Sim, sobre a cruz, Ele via-te, rezava por ti, e esta oração é eternamente viva e presente diante do seu Pai: é ela que te salvará das tuas misérias. Quanto mais sentires a tua fraqueza, mais a tua confiança deve crescer, porque é só n’Ele que te apoias (Ct 324).

Santa Isabel da Trindade